Quase 20 anos depois, surge finalmente uma forte pista do que poderá ter acontecido a Madeleine McCann

O estranho desaparecimento de Maddie McCann, ocorrido em 2007 no Algarve, foi um dos mais mediáticos no mundo inteiro
Quase duas décadas após o desaparecimento de Madeleine McCann (Maddie McCann), um novo documento tornado público pelas autoridades norte-americanas volta a colocar o nome da menina britânica no centro das atenções mediáticas.
De acordo com documentação que integra os arquivos relacionados com Jeffrey Epstein, atualmente em posse do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, uma testemunha afirmou, num depoimento prestado em 2020, ter visto uma criança que lhe pareceu ser Maddie na companhia de Ghislaine Maxwell, ex-mulher de Epstein.
O que diz o depoimento
Segundo o documento divulgado, a testemunha — cuja identidade não foi tornada pública — declarou ter contactado o FBI após recordar um episódio ocorrido em 2009. Nessa ocasião, afirmou ter visto uma mulher de mãos dadas com uma menina de cerca de seis anos. A descrição física da criança e da mulher, segundo o próprio depoimento, coincidiria com a aparência de Madeleine McCann e de Ghislaine Maxwell.
O testemunho refere ainda a presença de um homem de meia-idade que caminhava alguns passos à frente. De acordo com a declaração, a mulher parecia apressada e incomodada com a aproximação do observador. A testemunha acrescentou que a menina mantinha a mão sobre o olho direito, detalhe que lhe chamou a atenção.
Recorde-se que Madeleine McCann apresentava coloboma no olho direito — uma condição rara que provoca uma alteração visível na íris, frequentemente descrita como tendo formato semelhante a uma “fechadura”.
Apesar disso, a própria testemunha admitiu que, na altura, não acreditou imediatamente no que julgava ter visto, razão pela qual não comunicou o episódio às autoridades. Apenas anos mais tarde decidiu formalizar o relato junto do FBI.
Sem confirmação oficial
Importa sublinhar que, segundo as autoridades britânicas e norte-americanas, o depoimento não constitui prova concreta de qualquer irregularidade nem estabelece uma ligação formal entre o desaparecimento de Madeleine e o caso Epstein. Também não foi aberta, até ao momento, uma nova linha oficial de investigação com base nesta declaração.
O desaparecimento de Madeleine McCann, ocorrido em maio de 2007 na Praia da Luz, no Algarve, continua a ser investigado como um caso de rapto, mas as autoridades nunca conseguiram determinar de forma definitiva o que aconteceu à criança.
Por seu lado, Ghislaine Maxwell cumpre atualmente pena de prisão nos Estados Unidos por crimes de tráfico sexual de menores associados à rede liderada por Jeffrey Epstein. O financeiro norte-americano foi detido em 2019 e morreu na prisão nesse mesmo ano, enquanto aguardava julgamento.
Entre especulação e factos
A divulgação deste depoimento surge num contexto de forte escrutínio público em torno dos chamados “ficheiros Epstein”, que têm vindo a revelar testemunhos, contactos e alegações relacionadas com a rede criminosa do financeiro.
No entanto, até ao momento, não existe qualquer prova oficial que ligue o caso Madeleine McCann a Jeffrey Epstein ou a Ghislaine Maxwell. O novo documento representa apenas o relato de uma testemunha, sem confirmação independente.
Quase 20 anos depois, o desaparecimento de Maddie continua envolto em mistério — e cada nova referência reacende esperança, dúvidas e, inevitavelmente, debate público.






