Mourinho tenta ultrapassar eliminatória mais de uma década depois

Para encontrar a derradeira vez em que o técnico luso, vencedor da ‘Champions’ em 2003/04, pelo FC Porto, e 2009/10, pelo Inter Milão, ganhou um duelo a eliminar na ‘Champions’ é preciso recuar a 2013/14, à primeira época da segunda passagem pelo Chelsea.
Nos ‘quartos’, face aos franceses do Paris Saint-Germain, os ‘blues’ começaram por perder por 3-1 no Parque dos Príncipes, mas, em Stamford Bridge, em 08 de abril de 2014, venceram por 2-0, seguindo em frente pela extinta regra dos golos fora.
O alemão André Schürrle, aos 32 minutos, e suplente francês Demba Ba, já aos 87, selaram o apuramento do Chelsea, que se tinha sagrado campeão europeu em 2012, liderado pelo italiano Robert Di Matteo, depois de suceder ao português André Villas-Boas.
Esta eliminatória é ainda a última da ‘Champions’ que José Mourinho conseguiu ultrapassar, uma vez que, depois disso, caiu quatro vezes consecutivas.
O Chelsea chegou às ‘meias’ de 2013/14, mas caiu perante o Atlético de Madrid (0-0 fora e 1-3 em casa), o que impediu Mourinho de defrontar o Real Madrid na final da Luz, e, em 2014/15, nos ‘oitavos’, sofreu a ‘vingança’ do PSG, também num duelo decidido pelos golos fora (1-1 fora e 2-2, após prolongamento, em casa).
Desde aí, o técnico luso só disputou mais duas eliminatórias, ambas dos oitavos de final: em 2017/18, pelo Manchester United, foi afastado pelo Sevilha (0-0 fora e 1-2 em casa) e, em 2019/20, pelo Tottenham, caiu perante o Leipzig (0-1 em casa e 0-3 fora).
Apesar de os últimos quatro duelos terem ditado outras tantas deceções, José Mourinho tem um balanço amplamente positivo em eliminatórias da ‘Champions’, pós fase de grupos, com 62,1% de aproveitamento, em vésperas do 30.º duelo, no reencontro com o Real Madrid, para o play-off de acesso aos ‘oitavos’.
O destaque vai, claro, para as épocas 2003/04 e 2009/10, em que conseguiu o pleno, rumo ao título, primeiro, como ‘dragão’, superando Manchester United, Lyon e Deportivo e, depois, como ‘nerazzurri’, Chelsea, CSKA Moscovo e FC Barcelona.
Por FC Porto (três em três), Inter Milão (três em quatro), Real Madrid (seis em nove) e Chelsea (seis em 11) tem registo positivo, sendo que a sua especialidade são, claramente, os quartos de final: em oito presenças, seguiu oito vezes para as ‘meias’.
Nos oitavos de final, também prevaleceu na maioria das ocasiões (oito em 13), sendo que o seu ‘calcanhar de Aquiles’ são, claramente, as meias-finais, fase em que ‘tombou’ seis vezes, para ‘escassos’ dois apuramentos.
Como não perdeu qualquer final, foram as ‘meias’ que lhe trouxeram os maiores dissabores, a começar, na primeira passagem pelo Chelsea, pelos dois desaires com o Liverpool, em 2004/05, com um golo polémico, e em 2006/07, nos penáltis.
No Real Madrid, esteve três anos e tombou em outras tantas meias-finais, em 2010/11 face ao FC Barcelona, culpa de um ‘bis’ de Lionel Messi no Bernabéu, em 2011/12 frente ao Bayern Munique, novamente nos penáltis, e em 2012/13, com surpresa, face ao Borussia Dortmund (1-4 fora e um insuficiente 2-0 caseiro).
Agora, muitos anos depois dessas grandes batalhas, vai voltar a decidir uma eliminatória no Santiago Bernabéu, mas como forasteiro, pelo Benfica, num confronto, de acesso aos ‘oitavos’, que se começa a jogar na terça-feira, no Estádio da Luz, em Lisboa.






