Morreu Manuela Fonseca, um dos primeiros rostos da RTP

Luto na televisão portuguesa: morreu Manuela Fonseca, pioneira e um dos primeiros rostos da RTP
Figura histórica do pequeno ecrã residia na Casa do Artista desde 2015 e deixa um legado marcante na comunicação em Portugal
A televisão portuguesa está de luto. Manuela Fonseca, um dos primeiros rostos da RTP e figura incontornável da história do audiovisual nacional, faleceu na manhã deste sábado, 3 de janeiro de 2026, conforme anunciou José Raposo, em representação da Casa do Artista, instituição onde a antiga locutora residia desde 2015.
Em comunicado partilhado nas redes sociais, o ator prestou homenagem à pioneira da televisão portuguesa: “Deixou-nos MANUELA FONSECA, um dos primeiros rostos da televisão portuguesa como locutora de continuidade”, escreveu, acompanhando a mensagem com fotografias que remetem para a chamada “época dourada” da RTP.
Manuela Fonseca iniciou a sua carreira em 1960, integrando um grupo restrito e emblemático de locutoras de continuidade, ao lado de nomes como Isabel Wolmar, Maria Fernanda e Manuela Paulino. Estas profissionais tinham a missão de criar uma relação de proximidade com o público, sendo responsáveis por saudar os telespectadores no início das emissões e por se despedirem com frases que marcaram gerações, como o inesquecível “boa noite e bons sonhos”.
No mesmo comunicado, José Raposo recordou palavras ditas por Manuela Fonseca à revista Nova Antena, em 1968, que ilustram bem a filosofia e o carinho com que encarava o seu trabalho: “Não concordo que uma presença repetida na TV possa ‘cansar’ o público. A maioria dos espectadores já são nossos amigos. E não cansa ver um amigo repetidas vezes.” Uma visão que ajuda a compreender o impacto humano e afetivo que a locutora teve junto dos portugueses.
Desde 2015, Manuela Fonseca vivia na Casa do Artista, onde se manteve ativa, participativa e sempre envolvida nas iniciativas da residência sénior. A música era uma das suas grandes paixões e acompanhou-a até aos últimos anos de vida. “Obrigada pelo legado que nos deixa”, termina a nota de pesar, sublinhando a importância da sua contribuição.
Com a sua morte, a televisão portuguesa perde uma referência histórica, mas ganha a certeza de que Manuela Fonseca ficará para sempre ligada a um período fundador da comunicação social em Portugal, marcado pela proximidade, elegância e humanidade com que entrou, todos os dias, na casa dos portugueses.






