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Benfica acorda tarde e sem energia em jogo com Real Madrid

Ao golaço de Vinícius seguiu-se um alegado episódio de racismo que estragou a noite da Luz. Mourinho tentou mudar do banco mas o abanão não foi suficiente para evitar a derrota.

O Benfica sai derrotado na primeira mão do play off da UEFA Champions League e encara, em Madrid, na próxima semana, uma missão bastante complicada para dar a volta à eliminatória. O Real foi melhor na maior parte do tempo e justifica o triunfo, embora os encarnados ternham esboçado reação e guardem, até, algumas razões de queixa que o Pedro Henriques analisará noutro espaço: período de compensação curto para todas as incidências do jogo e expulsão de José Mourinho quando protestava por um lance em que lhe assistia razão, já que Vinícius fez falta sobre Ríos em zona muito perigosa e deveria ter visto um segundo cartão amarelo.

Vinícius Jr. foi, aliás, a figura central da noite. Antes de mais, e sobretudo, pelo golaço que marcou aos 50 minutos, fletindo da esquerda para o meio e chutando ao ângulo mais distante, sem hipótese para Trubin. Na sequência, pela queixa de racismo que alega ter sofrido da parte de Prestianni e manteve o jogo parado durante os dez minutos seguintes.

 

As equipas entraram na partida em modo de respeito mútuo, com pressão média uma sobre a outra, segurança máxima nas saídas para a frente, privilégio total dos equilíbrios. Ainda assim o jogo tornou-se rapidamente vivo, com tentativas de remate de parte a parte e os atrevimentos a tornarem-se cada vez mais frequentes, embora sempre em doses moderadas.

O Benfica sabia recuar as linhas e mantê-las juntas, o Real deixava os dois génios da frente mais dispensados de tarefas defensivas, mas os restantes oito homens de campo organizavam-se exemplarmente e tapavam quase sempre os caminhos da área de Courtois.

O primeiro momento disruptivo da noite deu-se quando, aos 19 minutos, Vinícius Jr. quase desfeiteava Trubin após corte incompleto de Schjelderup. O Benfica respondeu à altura com um remate forte de Aursnes, de fora da área, que desviou num madridista e obrigou Courtois a defesa de recurso, sabendo nós todos os recursos que o belga possui.

 

Este lance terá despertado de alguma forma o líder do campeonato espanhol, que subiu um pouco os níveis de pressing sobre o meio-campo encarnado e agrupou-se mais à frente no terreno. O Benfica perdeu tempo de posse de bola, tornou-se mais permeável à pressão merengue e o último quarto de hora da primeira parte acabou por ser de domínio azul, com particular intensidade nos últimos cinco minutos, compensação incluída. Entre o minuto 43 e o 45+2 sucederam-se boas oportunidades para o Real, que deixaram o Benfica a suspirar pela rápida chegada do intervalo.

 

Ele chegou, mas não valeu de muito, já que a tendência se manteve igualzinha à do primeiro tempo e apareceu o tal grande golo que decidiu o resultado. Depois da já referida longa paragem a partida perdeu chama e tornou-se feia. Os 14 minutos úteis seguintes continuaram a ser de domínio espanhol, mas já sem grandes acelerações, e só aos 74 minutos (que na realidade eram 64 de jogo) o Benfica reagiu. Ou melhor: reagiu Mourinho a partir do banco, colocando em campo Ríos e Sudakov, numa tentativa de conseguir segurar mais bola no meio-campo merengue. Pouco depois entraram duas setas, Sidny e Lukebakio, e assistiu-se então a um período de algum fulgor encarnado, ainda que insuficiente para criar grandes sustos a Courtois e companhia. Os encarnados despertaram, sim, mas sem grande energia.

Após o tal lance da expulsão de Mourinho, que obrigou a nova paragem longa (mais de dois minutos), o Real retomou o controlo e manteve a bola longe da sua área, segurando a preciosa vitória.

 

 

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