Suzana Garcia sobre o homicídio em Vagos: “Aos 14 anos é uma criança
A comentadora da TVI apela à empatia e reflexão social após o caso do jovem que matou a mãe em Vagos.

O homicídio que abalou a vila de Vagos continua a gerar consternação em todo o país. Um rapaz de 14 anos confessou ter matado a mãe, Susana Gravato, vereadora da Câmara Municipal de Vagos, com um disparo de arma de fogo. Segundo a Polícia Judiciária, o adolescente tentou simular um assalto após o crime. Por ser menor de 14 anos, não pode ser detido criminalmente e foi internado, por decisão judicial, numa unidade de proteção de menores por um período preventivo de três meses.
No programa matutino da TVI, a advogada e comentadora Suzana Garcia reagiu ao caso, pedindo uma abordagem mais empática e ponderada. “Aos 14 anos é uma criança. Acabou de entrar na adolescência. É grave o que ele fez, mas eu nem sequer sei se ele tem noção exata das consequências daquilo que fez”, afirmou, lembrando que, à luz da lei portuguesa, um jovem dessa idade não pode ser condenado, mas apenas sujeito a medidas tutelares educativas.
Suzana Garcia condenou também os discursos populistas que pedem o endurecimento das leis para adolescentes. “Ontem ouvi frases a dizer que tínhamos de começar a criminalizar severamente crianças e adolescentes, como se fossem adultos. Eu entendo a revolta, mas não podemos esquecer que aos 14 anos ainda é uma criança”, sublinhou. A comentadora defendeu que o caso deve servir como um alerta para refletir sobre o papel da sociedade e da família na formação emocional dos jovens.
Durante a sua intervenção, a advogada partilhou ainda dados preocupantes sobre o aumento de internamentos de menores em regime fechado. “No primeiro semestre deste ano, passámos de 139 para 156 internamentos. O ano ainda não terminou e é provável que ultrapassemos os 200. Isto deve fazer-nos pensar: onde é que estamos a falhar como sociedade?”, questionou.
A morte de Susana Gravato, de 49 anos, deixou a comunidade local em choque. Natural de Ílhavo, a advogada vivia na Gafanha da Vagueira desde a infância e era uma figura reconhecida e respeitada em Vagos, onde exercia funções públicas há mais de 30 anos. O caso, que junta tragédia familiar e debate social, continua a comover o país e a levantar questões sobre a adolescência, a responsabilidade penal e a importância da educação emocional.






