Tomás enfrentou a verdade após conviver com familiar que abusou sexualmente da namorada durante 12 anos
Durante anos, Joana Oliveira sofreu abusos sexuais constantes na infância por um familiar

A infância de Joana Oliveira foi marcada por uma dor silenciosa que poucos conhecem: abusos sexuais repetidos por parte de um familiar até aos 12 anos. Uma realidade cruel que a acompanhou durante cerca de uma década e que moldou grande parte da sua adolescência.
Desde muito nova, Joana era deixada pelos pais aos cuidados desse familiar, seja após a escola ou durante as férias. Foi nesse ambiente que os abusos sexuais começaram e continuaram até que Joana recebeu o seu primeiro telemóvel, aos 12 anos.
Até então, para ela, aquilo era completamente normal. «Disse à minha vizinha num tom super orgulhoso que fazia aquilo com um familiar», recordou, numa mistura de inocência e confusão que só uma criança pode ter.
Foi graças à intervenção dessa vizinha que Joana percebeu que estava a ser vítima de abusos sexuais. «Tinha muita vergonha… tinha medo que não acreditassem em mim», confessou. O sentimento de culpa rapidamente a dominou, pois não queria denunciar os abusos sexuais para não dividir a família. Contudo, ao revelar o que se passava, Joana viu alguns familiares virarem-lhe as costas, aumentando ainda mais a sua dor e isolamento.
A revolta e a tristeza transbordaram durante a adolescência, período em que Joana teve uma fase rebelde. As notas começaram a piorar e ela fugiu de casa duas vezes. No entanto, mesmo no meio da tempestade, encontrou um raio de luz: o amor ao lado de Tomás, que lhe deu forças para contar a verdade e acreditar num futuro melhor.
O casal está junto há 6 anos, e desde o início da relação Tomás percebeu que Joana carregava traumas profundos. «Eu sabia quem era e já tinha estado com a pessoa», recordou Tomás sobre o familiar abusador. Joana não escondeu a verdade: contou-lhe que tinha sofrido abusos sexuais na infância, mas que o familiar já estava preso. Hoje, juntos, são pais de Francisca e Vicente e dedicam-se a educar os filhos, ensinando-lhes que há toques que são invasivos e inaceitáveis. Sobre Tomás, Joana afirmou com emoção: «Ele foi a minha salvação».
O homem acabou por admitir os abusos, acreditando que o crime já tinha prescrito. Acusado de mais de 700 crimes, com mais de 400 comprovados, o familiar foi condenado a 10 anos de prisão. Apesar da justiça, Joana confessou: «Tenho medo que ele se tente vingar disto de alguma forma». A revelação dos abusos levou a uma ruptura familiar, com algumas pessoas a deixarem de falar com Joana. «Tenho o peso de que destruí uma família», desabafou.






