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Morreu Romeu di Lurdes: Cabo Verde em luto pela perda do músico e ativista social

Artista tinha 36 anos e preparava-se para apresentar o novo álbum “Kuraçon Aberto” em Lisboa

O mundo da música lusófona está de luto. Romeu di Lurdes, cantor, músico e ativista social cabo-verdiano, morreu na madrugada de quinta-feira, em Lisboa, aos 36 anos, vítima de um acidente de viação. A notícia foi confirmada por fonte familiar à Inforpress, deixando em choque os fãs e a comunidade cultural cabo-verdiana.

Romeu di Lurdes, cujo nome verdadeiro era Carlos Manuel Tavares Lopes, tinha lançado este ano o seu mais recente álbum, “Kuraçon Aberto”, cinco anos depois do sucesso do disco de estreia, “Amoransa”. O músico preparava-se para subir ao palco este sábado, na Damaia, para apresentar o novo trabalho que agora se torna o seu legado artístico.

O Presidente de Cabo Verde, José Maria Neves, foi um dos primeiros a reagir, deixando uma mensagem emocionada nas redes sociais. “Romeu di Lurdes deixa-nos uma obra singela, mas profunda, marcada por homenagens às mulheres e por um envolvimento cívico exemplar. Foi um artista que acreditava no poder da cultura para transformar a sociedade”, escreveu o chefe de Estado. Também o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas manifestou “profundo pesar” pela “partida prematura de uma figura multifacetada e de notável dedicação”, considerando a perda “irreparável”.

Natural de Santa Cruz, na ilha de Santiago, Romeu di Lurdes começou a tocar guitarra aos 18 anos — comprada com o dinheiro da venda de um telemóvel que a mãe lhe tinha oferecido. O seu percurso foi marcado por uma forte ligação às causas sociais e políticas. Chegou a candidatar-se por duas vezes à Câmara Municipal da Praia, pelo partido Pessoas, Trabalho e Solidariedade (PTS), defendendo sempre uma maior aposta na cultura como instrumento de inclusão.

Em entrevistas, o cantor definia-se como “um romântico por natureza”, alguém que via na música uma forma de expressar a alma e as emoções do povo cabo-verdiano. “Quando damos mais de nós, recebemos mais”, dizia numa entrevista à Lusa em 2016, após se destacar no concurso “Talento Strela”. Hoje, colegas, fãs e figuras públicas rendem-lhe tributo nas redes sociais, recordando-o como um símbolo de sensibilidade, coragem e amor pela cultura de Cabo Verde.

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